Fórmula do ROAS: o que meio ponto vale no seu faturamento

Arte em fundo navy da TECLA K com o texto “0,5 de ROAS vale R$ 300 mil por ano”. À direita, gráfico de barras compara ROAS 5,0, 5,5, 6,0 e 7,0 com faturamentos de R$ 250 mil a R$ 350 mil; a barra 5,5 está em laranja.
A fórmula do ROAS é a taxa de conversão multiplicada pelo ticket médio e dividida pelo custo por sessão. Duas dessas três variáveis estão no site, não na campanha. Com verba fixa de R$ 50 mil por mês, subir o ROAS de 5 para 5,5 adiciona R$ 300 mil de faturamento em 12 meses.

Uma loja que investe R$ 50 mil por mês com ROAS 5 fatura R$ 250 mil. Com ROAS 5,5, fatura R$ 275 mil. A verba é a mesma, o time é o mesmo e a diferença de meio ponto vale R$ 25 mil por mês, ou R$ 300 mil em doze meses.

Abaixo está a decomposição do ROAS em três variáveis, quanto vale cada décimo em faturamento e em lucro, e onde procurar esse ganho sem pedir um real a mais de investimento.

O que é a fórmula do ROAS

A fórmula do ROAS é a taxa de conversão multiplicada pelo ticket médio e dividida pelo custo por sessão. Ela sai da definição original, receita dividida por investimento, quando você abre os dois lados por sessão. Uma loja com 2% de conversão, ticket de R$ 150 e custo por sessão de R$ 0,60 tem ROAS 5,0.

Em uma linha: ROAS é taxa de conversão vezes ticket médio, dividido pelo custo por sessão.

Das três variáveis, só o custo por sessão vive dentro do gerenciador de anúncios. Taxa de conversão e ticket médio são decididos no site. Por isso, operação que tenta resolver ROAS mexendo só em campanha está trabalhando em um terço do problema.

Por que meio ponto de ROAS decide o resultado do ano

Com R$ 50 mil de verba mensal, cada meio ponto de ROAS vale R$ 25 mil de faturamento por mês. São R$ 300 mil em doze meses. Como a mídia não mudou, essa receita extra carrega apenas o custo variável: com 30% de margem de contribuição, R$ 90 mil ficam na operação.

Existe uma segunda leitura da mesma conta. Para faturar esses R$ 25 mil a mais mantendo o ROAS em 5, a loja precisaria investir R$ 5 mil a mais por mês, R$ 60 mil no ano. O ganho de eficiência não só entrega faturamento, ele dispensa a verba que seria necessária para chegar ao mesmo lugar.

  • O ganho escala rápido: de ROAS 5 para 7, na mesma verba de R$ 50 mil, o faturamento sai de R$ 250 mil para R$ 350 mil. São 40% a mais sem aumentar investimento.
  • Cada décimo tem preço: 0,1 de ROAS vale R$ 5 mil por mês nessa operação, R$ 60 mil por ano. Décimo não é detalhe de relatório.
  • O número também engana: cortar a verba de R$ 50 mil para R$ 25 mil e deixar só campanhas de fundo de funil pode levar o ROAS a 6, com o faturamento caindo de R$ 250 mil para R$ 150 mil. O indicador melhora e a empresa encolhe.

Como identificar onde está o seu décimo de ROAS

Pegue os últimos 30 dias e levante as três variáveis: taxa de conversão e ticket médio na plataforma de e-commerce, custo por sessão dividindo o investimento total pelas sessões totais do GA4. Aplique a fórmula e compare com a receita dividida pelo investimento. Se der diferença grande, o problema é de medição, não de performance.

VariávelRuimAceitávelBoa
Taxa de conversão geralabaixo de 0,8%0,8% a 1,4%acima de 1,5%
Custo por sessão geralR$ 0,70 ou maisR$ 0,60R$ 0,50 ou menos
Itens por pedido1,0 a 1,11,2 a 1,4acima de 1,5

A variável que estiver na coluna ruim é onde está o décimo mais barato de conquistar. Subir conversão de 0,8% para 1,0% é trabalho de página e checkout. Subir de 2,0% para 2,2% já exige teste fino. Comece pelo que está longe da faixa boa, não pelo que é mais confortável de mexer.

Como resolver: o passo a passo

São seis passos. Os dois primeiros são de medição e levam uma tarde. Os três seguintes são de execução e rodam em ciclos de 30 dias, um por variável. O sexto é a conferência, e é ele que impede que o ganho seja só aparente.

  1. Fixar a verba da comparação: escolha duas janelas de 30 dias com investimento equivalente. Validação: a diferença de verba entre os dois períodos fica abaixo de 5%.
  2. Calcular o ROAS pela fórmula: use conversão e ticket da plataforma e custo por sessão calculado por você. Validação: o resultado bate com receita dividida por investimento dentro de 5%.
  3. Trabalhar o custo por sessão: criativo, segmentação e estrutura de campanha, mais o crescimento de sessões orgânicas, que entram sem custo de mídia. Validação: o custo por sessão cai sem queda no total de sessões.
  4. Trabalhar a taxa de conversão: página de produto, regra de frete e fluxo de checkout. Validação: a conversão sobe nos principais canais separadamente, não só no número total.
  5. Trabalhar o ticket médio: kits, compre junto e frete grátis acima de um valor mínimo posicionado acima do ticket atual. Validação: itens por pedido sobem, sem queda na conversão.
  6. Refazer a conta em 30 dias: recalcule com a mesma verba da primeira janela. Validação: o ROAS sobe com o faturamento absoluto igual ou maior.

Por que comparar ROAS com verba variável engana

Esse é o erro que mais atrapalha a leitura. O ROAS é uma divisão, então ele sobe tanto quando a receita cresce quanto quando o investimento encolhe. Uma operação que corta topo de funil e mantém só remarketing colhe um ROAS mais alto em duas semanas, porque passa a comprar apenas quem já estava decidido. O faturamento absoluto cai junto, e a loja perde a entrada de público novo que alimentaria os meses seguintes. Por isso a regra da comparação: verba fixa nos dois períodos, e o faturamento absoluto sempre olhado ao lado do ROAS, nunca sozinho.

O que acontece na prática

Simule a operação da abertura em detalhe: 50 mil sessões no mês, custo por sessão de R$ 0,60, conversão de 2% e ticket de R$ 150. São R$ 30 mil de investimento, R$ 150 mil de receita e ROAS 5,0. Agora mexa em uma variável de cada vez, mantendo as outras duas paradas.

Conversão de 2% para 2,2% leva o ROAS a 5,5. Ticket de R$ 150 para R$ 165 leva ao mesmo 5,5. Custo por sessão de R$ 0,60 para R$ 0,55 leva a 5,45. Três caminhos diferentes para o mesmo meio ponto, e nenhum deles exige verba adicional. Combinados, os três levariam o ROAS para perto de 6,6.

ROAS que sobe com o faturamento caindo não é eficiência, é retração.

O que acontece na prática

Detalhe a operação da abertura: 83 mil sessões no mês, custo por sessão de R$ 0,60, conversão de 2% e ticket de R$ 150. São R$ 49,8 mil de investimento, R$ 249 mil de receita e ROAS 5,0. Agora mexa em uma variável de cada vez, com a verba parada.

Conversão de 2% para 2,2% leva a receita a R$ 273,9 mil e o ROAS a 5,5. Ticket de R$ 150 para R$ 165 chega ao mesmo 5,5. Custo por sessão de R$ 0,60 para R$ 0,55 compra 90,5 mil sessões com a mesma verba e leva o ROAS a 5,45. As três juntas levam a 6,6, com R$ 328,7 mil de receita e nenhum real a mais de investimento.

ROAS que sobe com o faturamento caindo não é eficiência, é retração.

Erros que anulam o resultado

  • Comparar períodos com verba diferente: a variação de investimento sozinha move o ROAS. Iguale a verba antes de atribuir o ganho a qualquer otimização.
  • Somar o ROAS das plataformas: Meta e Google atribuem a mesma venda para si e a soma estoura o faturamento real. Use a receita da plataforma de e-commerce como numerador único.
  • Perseguir ROAS cortando topo de funil: o indicador melhora por um mês e a entrada de público novo seca. O efeito aparece no faturamento dois ou três meses depois.
  • Olhar ROAS sem olhar margem: ROAS 6 em um mix de produtos com 20% de margem devolve menos lucro que ROAS 4 em um mix com 45%. Acompanhe os dois números na mesma tela.

Quer saber quanto meio ponto de ROAS vale na sua operação?

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Por onde começar

Pegue os últimos 30 dias e anote quatro números: investimento total, sessões totais, taxa de conversão e ticket médio. Multiplique a sua verba mensal por 0,1 e depois por 12. O resultado é quanto um único décimo de ROAS vale para a sua empresa em um ano. Esse é o valor que justifica ou não o próximo projeto de otimização.

Checklist:

  • ROAS recalculado pela fórmula e conferido com receita dividida por investimento
  • Custo por sessão calculado com o investimento total, não só o de uma plataforma
  • Duas janelas de 30 dias com verba equivalente definidas para comparação
  • Valor de um décimo de ROAS calculado em reais por ano
  • Faturamento absoluto registrado ao lado do ROAS em todo relatório

Veja também: como aumentar o ROAS reduzindo a dependência de mídia paga.

Perguntas frequentes

Qual é o ROAS mínimo para a loja não ter prejuízo?

O piso é 1 dividido pela margem de contribuição. Uma loja com 30% de margem precisa de ROAS 3,3 só para cobrir custo de produto, frete, taxas e a mídia. Abaixo disso, cada venda consome caixa. Esse número muda por produto, porque a margem varia dentro do próprio catálogo.

O ROAS do Meta Ads bate com o da plataforma de e-commerce?

Quase nunca. O gerenciador atribui para si vendas em que o anúncio foi só um dos pontos de contato, então costuma reportar receita acima da real. Use o faturamento da plataforma como numerador e o investimento total como denominador. O dado do gerenciador serve para comparar campanhas entre si, não para medir a operação.

Aumentar a verba derruba o ROAS?

Tende a derrubar, porque ampliar o volume exige alcançar público menos qualificado e o custo por sessão sobe. Por isso o teste correto é medir o ROAS marginal: quanto a receita cresceu dividido por quanto a verba cresceu. Se esse número ficar abaixo do seu ponto de equilíbrio, o aumento está custando margem.

Em quanto tempo dá para ver mudança no ROAS?

Custo por sessão e ticket médio respondem dentro de 30 dias, porque dependem de ajuste em campanha, kit e regra de frete. Taxa de conversão depende de correção em página de produto e checkout e costuma levar de 30 a 60 dias. Em qualquer caso, só compare períodos com a mesma verba.

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Caio Neves Fundador da TECLA K, aceleradora de e-commerce. Opera contas de mídia, CRO e CRM todos os dias.

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